quarta-feira, 30 de julho de 2008

Tratado sobre insônia e rotina

GOTEJA ÁGUA EM MEU BANHEIRO, o som entre em meus ouvidos, o som destroi o resto de sono que tenho. Goteja a água! Goteja a água! Goteja a água! Ao virar, ao deixar o travesseiro cair provando mais uma vez que Newton estava certo na questão da gravidade, ao levantar e dar voltas no quarto escuro, ao sentir o cheiro da manhã novamente, ao ver no despertador em luzes neoniticas vermelhas que já são 5:35 da manhã, ao ver que você deve se levantar as 6:00 e que o tempo foi imposto na revolução industrial (malditos ingleses!)
O banho, a água que escorre no ralo e desce em sua garganta, toda a espuma branca a sinfonia Ludwidica soada no banheiro matutino, tudo é belo para quem tem sono, tudo é despercebido para quem não tem suas horas de paz. Chico toca ao fundo "mirem-se no exemplo, daquelas mulheres, de Atenas!"
O ônibus lotado em caminho ao um destino incerto, trabalho talvez. Um livro sobre os filósofos em baixo do braço, o movimento de vai e vem, a sinfonia das buzinas: Bem vindo a uma segunda feira, bem vindo a uma cidade, bem vindo a um eterno estado de sitio!
Acordo assustado! Foi tudo um pesadelo! Ainda são 3:39 da manhã, ainda é domingo no meu consentimento (acredito que o dia virou apenas quando acordo e me sinto satisfeito) sei que ainda posso dormir, e sei que estava dormindo. Amanha é segunda feira, fora um sonho premonitório?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Devir

ABRI MEU GUARDA-CHUVA paradoxal (tenho usado muito este termo ultimamente) antes mesmo do inicio da chuva, seria eu precavido contra estas coisas que nos dão dúvidas? Inicio uma nova discussão, ou uma série, ou centenas de argumentos (falhos ou não) sobre algo que possa chamar a atenção. No momento, tudo que vejo é um solitário monitor, um solitário teclado, um solitário escritor, um solitário pensamento dentre vários. Veja o sol; tão grande, tão quente, tão bonito e está sozinho naquele espaço todo pois ninguém pode chegar perto o bastante dele... Seria vantagem?

Heráclito de Éfeso diria que nada é estático, tudo é movimento, no momento estamos nos movimentando, estamos mudando, estamos crescendo e nos alimentando dos prazeres do mundo... Já notou que estamos num eterno estado de Sansara?
Ainda chove, espero a mesma sumir, desaparecer entre as nuvens. Ainda estou com meu guarda-chuva paradoxal aberto e procurando ideias que mostrariam versões novas de pensamentos abstractos. Seria eu um surrealista que não sabe sonhar? Estaria eu com Rimbaud e Dante no inferno? Será que uma poesia qualquer salvaria minha alma duma perdição do qual não sei qual é?

Vejo o rio, poderia atravessar-lo, mas no meio do processo não seria o mesmo rio do qual entrei. Tudo muda, nada é estático, tudo é movimento.